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Estudantes da rede pública do Maranhão transformam conhecimento em soluções inovadoras na II HackEPT

Maratona promovida pela Seduc com correalização do Sebrae premiou projetos desenvolvidos por equipes de Matinha, Fortaleza dos Nogueiras e Timon.
Por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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Um aplicativo que traduz o Portal da Transparência em linguagem simples, um sistema escolar com monitoramento de saúde mental dos alunos e uma solução para facilitar o acompanhamento médico em comunidades de difícil acesso ou com baixa cobertura digital. O que parecem produtos de startups consolidadas são, na verdade, projetos desenvolvidos por jovens da rede pública de ensino do Maranhão, premiados na segunda edição da HackEPT – Maratona de Inovação dos Centros Educa Mais.

Projeto vencedor foi desenvolvido por estudantes de Matinha, na Baixada Maranhense. (Divulgação/Sebrae)

Mais de 400 alunos vivenciaram, na última sexta-feira (28), a segunda edição da maratona, realizada em São Luís pela Secretaria de Estado da Educação (Seduc), com correalização do Sebrae e parceria do Sesi e da UFMA.

Na segunda edição do evento, os três projetos vencedores foram desenvolvidos por estudantes de Matinha, Fortaleza dos Nogueiras e Timon, mostrando que o acesso à inovação, à tecnologia e ao empreendedorismo já alcança diferentes territórios, gerando soluções concretas e inovadoras para desafios reais de cada município.

O primeiro lugar ficou com a equipe Flawtech, do Centro Educa Mais Mariano Costa, de Matinha. Bicampeã da HackEPT, a equipe comemorou novamente a conquista, resultado que, segundo o estudante Luciano Nunes Santos, é fruto de esforço, dedicação e trabalho coletivo. “Fazer parte da equipe e conquistar o primeiro lugar, sendo bicampeão, é uma experiência muito gratificante”, destacou ele.

A segunda colocação foi conquistada pelo grupo Transparência e Responsabilidade Social, do Centro Educa Mais Marcelino Machado, em Fortaleza dos Nogueiras. Estreantes no evento, os estudantes criaram uma proposta para democratizar o acesso às contas públicas locais.

Projetos inovadores, como a solução criada por estudantes de Fortaleza dos Nogueiras, se destacam na II HackEPT (Divulgação/Sebrae)

A ideia é transformar informações orçamentárias, muitas vezes apresentadas em linguagem técnica, em conteúdos mais acessíveis à população por meio de um aplicativo e de um site. O projeto propõe, por exemplo, traduzir valores destinados a áreas como saúde para referências mais próximas do cotidiano da população local.

“Nosso objetivo é simplificar essas informações para que a população consiga entender e acompanhar como os recursos públicos estão sendo utilizados”, explicou a estudante Anna Karolyna.

Já o terceiro lugar foi conquistado pela equipe ReAluno, do Centro Educa Mais Jacira de Oliveira e Silva, de Timon. O projeto propõe um sistema de gestão educacional capaz de aproximar escola, estudantes e famílias, incluindo entre suas funcionalidades o acompanhamento de informações relacionadas à saúde mental dos alunos.

Para Enzo Gabriel, integrante da equipe, subir ao pódio simboliza o reconhecimento de um processo de dedicação e superação. “Alcançar essa vitória é fruto de muito esforço. Estar aqui hoje é resultado de sair da nossa zona de conforto”, afirmou.

A HackEPT integra as ações de fortalecimento da Educação Profissional e Tecnológica (EPT) na rede pública estadual, voltada a alunos dos Centros Educa Mais e da modalidade EJATEC, com orientação docente. A proposta se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e às metas do Plano Maranhão 2050.

Maratona sinaliza fortalecimento do ensino tecnológico no Maranhão

A iniciativa mostrou o fortalecimento da educação profissional como caminho estratégico para a formação dos jovens maranhenses, apontando para a consolidação do modelo de Educação Integral implementado no estado.

Para a secretária de Estado da Educação, Jandira Dias, a segunda edição da HackEPT demonstra o novo momento vivido pela educação profissional e empreendedora no Maranhão. “Ficamos muito felizes com o nível das apresentações e com a qualidade dos projetos desenvolvidos pelos estudantes. Cada aluno que esteve aqui defendendo sua ideia demonstra que o Maranhão vive um novo momento, especialmente na educação profissional e empreendedora”, destacou.

De acordo com o diretor técnico do Sebrae-MA, Mauro Borralho, inovação e empreendedorismo são fundamentais para ampliar oportunidades e contribuir para o desenvolvimento do estado. “Nós estamos falando de uma agenda muito importante com foco no desenvolvimento do nosso Estado, que é inovação e empreendedorismo. Então a relação entre essas duas áreas está gerando cada vez mais oportunidades para as pessoas”, afirmou ele.

Programação reforça jornada de aprendizagem

A estrutura da maratona foi desenhada para guiar os estudantes por todas as fases do ciclo de inovação. No período da manhã, a abertura oficial deu lugar à mesa-redonda “Conexões para o Futuro: EPT, Inovação e Mundo do Trabalho”, reunindo especialistas da UFMA, Seduc e CEUMA para debater o impacto das novas competências profissionais.

Em paralelo, os jovens participaram de oficinas sobre empreendedorismo e biodiversidade maranhense – com foco na extração e aplicação de óleos essenciais –, além de realizarem sessões de pôsteres para apresentar propostas iniciais ao público.

No painel de abertura especialistas discutem ensino profissional inovação e tecnologia e suas conexões com o futuro. (Divulgação/Sebrae)

No período da tarde, a agenda avançou para tópicos de ponta, como inteligência artificial, engenharia de prompt e identidade de marca. O encerramento ficou por conta dos pitches das equipes finalistas, que defenderam suas soluções técnicas perante a banca examinadora.

O resultado é uma experiência em que estudantes deixam de ocupar apenas o papel de aprendizes e passam a atuar como protagonistas na identificação de problemas e na criação de respostas para suas comunidades.

De Matinha, as estudantes Emilly Silva, Nielly, Karala e Eduarda trouxeram a ideia do B-Plastic, uma solução para geração de bioplástico a partir de insumos simples e disponíveis no município como o pseudocaule da bananeira.

Centenas de alunos lotam Auditório Terezinha Jansen na abertura da edição 2026 da HackEPT (Divulgação/Sebrae)

Para elas, a solução contribui para a preservação ambiental e ajuda a promover reflexões importantes como a necessidade da preservação e de cuidados com os recursos ambientais para a sobrevivência e equilíbrio do planeta.

“Nos sentimos cumprindo um dever de cidadania com o sentimento de estarmos fazendo a nossa parte por um mundo melhor. Mas também, ter acesso a esse tipo de conhecimento nos mostra que, após terminar os estudos, podemos nós mesmos construir nosso futuro com responsabilidade. Participar deste projeto nos ajuda a ter uma visão mais ampla da vida, das possibilidades e oportunidades que podemos gerar a partir do conhecimento”, disse Emilly.

Estudantes apostam no conhecimento como ferramenta para inserção no mundo do trabalho. (Divulgação/Sebrae)

Para o professor Arthur Rocha Dantas, da UFMA, criar espaços como a HackEPT para estudantes que vivenciam seus processos de descobertas pessoais e de protagonismo é fundamental no momento atual. “Sabemos que, em um mundo de tantas possibilidades, chamar atenção dos alunos é um desafio. Daí a importância de termos momentos como esses, onde eles podem dialogar, vivenciar experiências práticas e ver como a tecnologia vem impactando o mundo do trabalho”, enfatizou o professor.

Com propostas que variaram de robótica e inteligência artificial a gamificação, acessibilidade e gestão pública, a II HackEPT deixou uma mensagem importante: a inovação pode nascer longe dos grandes centros e encontrar na escola pública um espaço para transformação de ideias em soluções, formando as novas gerações para o mundo do trabalho e para a vida.

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