Há oito anos, a artesã Maria Helena do Espírito Santo começou a trilhar um caminho que mudaria sua vida. Inspirada pela avó, aprendeu o crochê e passou a produzir peças simples para uso doméstico – panos de prato e utilitários para embelezar a casa. Vieram depois a pintura em tecido, o macramê e, durante a pandemia, a descoberta do pontilhismo, técnica artística que conquistou definitivamente seu coração.

O que começou como hobby logo se transformou em oportunidade. Incentivada por amigas e familiares, Helena começou a vender, inicialmente, no círculo mais próximo, participou de exposições, buscou capacitação em cursos e aulas online e passou a ocupar espaços voltados ao empreendedorismo com o incentivo do Sebrae, participando do Mobiliza SLZ, Expo MEI e Avança MEI.
Hoje, formalizada como Microempreendedora Individual (MEI), com a Artesanatos Helena de Troia, ela complementa sua renda com essa atividade. Mas, a grande transformação é pessoal: ela perdeu o medo de mostrar-se em público e passou a se enxergar como empreendedora. Mais importante do que isso, encontrou confiança, ganhando autonomia e esperança.
“É maravilhosa essa descoberta da nossa capacidade de produzir e ver essa transformação acontecendo dentro da gente. Perdi o medo de falar em público, de gravar vídeos, ao perceber que, além do meu produto, as pessoas querem conhecer a pessoa por trás da arte. Entendi que empreendedorismo é superação, que se vence com leveza e firmeza”, conta.
Maranhão: uma economia sustentada pela força dos pequenos
A trajetória de Helena reflete a realidade de milhares de empreendedores maranhenses. Atualmente, o estado possui 325.470 pequenos negócios formais e ativos, o que corresponde a 95,2% do total de empresas existentes no Maranhão.

Essa força gera oportunidades e transformações em cadeia, tendo o Sebrae e suas soluções compondo belas histórias. São essas empresas que movimentam a economia local, geram renda e criam oportunidades com boa dose de esperança – do total de 7.990 empregos formais registrados entre janeiro e abril deste ano, 4.465 vagas foram geradas pelos pequenos negócios do estado.
Nessa base estão 196.907 microempreendedores individuais como Helena e, junto com estes, as micro e pequenas empresas, que representam a maioria (39,7% dos negócios), seguidas de perto pelos MEIs (39,3%), e pelas empresas de pequeno porte (7,04%). Para impulsionar esses negócios, o Sebrae apoia o empreendedor em todas as fases de sua jornada. Suas soluções vão desde a capacitação inicial e consultorias até a preparação para o crédito, o aval financeiro e o acesso a novos mercados – iniciativas que ajudam a despertar e consolidar vocações locais
“É uma força gigantesca que temos buscado apoiar, criando condições para que esses empreendedores possam crescer ainda mais, gerando desenvolvimento, dinamismo e oportunidades para o Maranhão. Temos convicção de que o fortalecimento dos pequenos negócios é o melhor caminho para um estado mais próspero, com uma economia dinâmica e potente”, destaca o superintendente do Sebrae Maranhão, Albertino Leal.
Impacto que se multiplica
Os números ajudam a dimensionar a importância dos pequenos negócios, mas não revelam toda a força e as histórias que existem por trás deles. É o caso da empresária Carlene Costa, proprietária da Vestuário Brasil, que transformou uma herança familiar em uma rede de oportunidades para dezenas de pessoas.

A história começou em uma pequena confecção criada por sua mãe, o Ateliê K. Desde criança, Carlene acompanhava a rotina das costureiras e cresceu acreditando que aquele espaço também fazia parte de sua história. Ainda no ensino médio, decidiu que queria trabalhar com moda e confecção, mesmo diante da resistência da mãe, que imaginava para a filha uma trajetória diferente.
Determinada, buscou experiência em outro ateliê, onde aperfeiçoou técnicas e ampliou seus conhecimentos. Anos depois, quando a mãe decidiu encerrar as atividades da confecção, Carlene viu a oportunidade de realizar o sonho que cultivava desde a infância. Aos 20 anos, arrendou o espaço e as máquinas e iniciou sua própria jornada empreendedora.
Formalizada como MEI em 2010, a empresa cresceu gradativamente. Ao mesmo tempo em que investia em sua formação acadêmica, cursando Design, Carlene estruturava o negócio e definia seu posicionamento de mercado. Hoje, a Vestuário Brasil é especializada na produção de uniformes e fardamentos e planeja novos vôos, com a ajuda do Sebrae, ela quer investir em uma loja virtual, apoiada pelo Sebraetec.
Mas o maior resultado talvez não esteja nas peças produzidas. Entre colaboradores intermitentes e serviços terceirizados, a empresa gera trabalho e renda para cerca de 25 pessoas. Costureiras, modelistas, profissionais de acabamento e empreendedores parceiros encontram na cadeia produtiva da Vestuário Brasil uma oportunidade de sustento e crescimento.

Como muitos empreendedores, as histórias são exemplos de superação de dificuldades e valorização do trabalho como meio de vida. Para chegar até aqui, venceram obstáculos como a falta de conhecimento do mercado, necessidade do planejamento correto do negócio, investiram no preparo para a gestão correta das finanças, evitando dar passos maiores que as pernas e endividamento, driblando o amargo sabor do fracasso. Tudo isso, em um cenário de carga tributária elevada e de incertezas. Desafios, que para a maioria dos negócios são fatais nos primeiros anos e que, para Carlene e Helena, serviram de motivação.
“Histórias como as de Helena e Carlene mostram que os pequenos negócios podem ter tamanho modesto, mas exercem um papel gigantesco na transformação econômica e social do Maranhão. Por trás de cada CNPJ há sonhos, trabalho, perseverança e a capacidade de gerar mudanças que se espalham para famílias, comunidades e para todo o estado”, ressalta o superintendente Albertino Leal.
“Muito mais do que preservar um legado familiar, orgulho-me do impacto que consigo gerar na vida de outras pessoas”, afirma Carlene. “Empreender, para mim, rima com esperança. Tenho esperança e venho trabalhando todos os dias para consolidar meu negócio e criar oportunidades para muitas outras pessoas, com o orgulho de saber que para vencer, a gente precisa começar”, complementa Helena.
