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Maranhão registra alta de 20,5% na abertura de pequenos negócios em 2026

Levantamento do Sebrae aponta 58.698 novos pequenos negócios entre janeiro e setembro de 2026. História da Que Doce mostra os desafios de transformar uma ideia em empresa
Por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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Nara Corrêa e Milena Godinho Cardoso queriam ter um negócio próprio e construir uma marca com a identidade das duas. Foi assim que nasceu a Que Doce!, empresa de sobremesas congeladas que começa a ganhar forma empresarial com uma combinação de receitas próprias, planejamento e consultorias especializadas. O sonho agora é maior: tornar a marca uma indústria maranhense, ampliar a produção e conquistar novos mercados.

A trajetória de Nara e Milena ajuda a entender uma etapa importante do empreendedorismo: abrir uma empresa é apenas o começo. Para crescer, é preciso aprimorar produtos, organizar processos, cumprir exigências e preparar o negócio para atender a novos consumidores.

Esse movimento ocorre em um ambiente de expansão no Maranhão. Entre janeiro e setembro de 2026, o estado registrou 58.698 novos pequenos negócios, crescimento de 20,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 48.716 aberturas. Foram quase 10 mil formalizações a mais em um ano, segundo levantamento do Sebrae, com base em dados da Receita Federal e IBGE.

“O bom desempenho do Maranhão é resultado de um conjunto de fatores, como a simplificação dos processos de abertura de empresas e mais agilidade no acesso ao crédito, além das iniciativas de capacitação e o fortalecimento do consumo. A atuação integrada das instituições também tem sido fundamental nesse cenário. O Sebrae tem contribuído para esse avanço ao oferecer orientação, consultorias e ferramentas que ajudam os empreendedores a melhorar a gestão, estruturar seus negócios e criar condições para crescer de forma sustentável, atuando em todas as etapas do negócio”, destaca Celso Gonçalo, presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae no Maranhão.

Uma doce ideia que virou negócio

A Que Doce começou a ser planejada em 2025, quando as duas amigas decidiram transformar o desejo de empreender em uma atividade própria, buscando oportunidades no mercado. A afinidade com a confeitaria levou à escolha do segmento, e os primeiros testes deram origem às receitas que hoje compõem o portfólio da empresa. As duas começaram como MEI e, há poucos meses, se transformaram em microempresa.

O doce sabor do empreendedorismo: Nara Cardoso e Milena Corrêa lideram a Que Doce, negócio voltado à produção de sorvetes e doces especiais. (Divulgação)

A definição dos produtos também exigiu escolhas. Depois de experimentar diferentes possibilidades, as empreendedoras decidiram concentrar esforços nas sobremesas congeladas. A primeira linha, chamada Levinho, reúne quatro sabores: maracujá, morango, chocolate e uva roxa. A proposta é oferecer um produto que pode ser consumido congelado, como sorvete, ou após descongelar, quando adquire consistência cremosa.

A empresa se prepara para uma nova fase, com reformulação da identidade visual e das embalagens e maior direcionamento da comunicação para a linha Levinho. Paralelamente, as sócias trabalham na regularização do negócio, etapa importante para alcançar o objetivo de ampliar a produção e avançar rumo à estrutura industrial. “Nosso maior sonho é nos tornarmos uma indústria genuinamente maranhense de sobremesas congeladas”, conta Nara Corrêa.

Aprender para crescer e inovar para competir

A aproximação com o Sebrae ocorreu por meio do Siama (Sindicato das Indústrias de Alimentos do Estado do Maranhão, vinculado à Fiema), que incentivou as empreendedoras a regularizar as atividades e estruturar a empresa. Desde então, a Que Doce é atendida pela Unidade Regional do Sebrae em São Luís e elas vêm participando de consultorias em várias áreas buscando melhorias a cada nova etapa.

Esse acompanhamento ajudou Nara e Milena a identificar aspectos que precisavam ser aprimorados para dar ao negócio uma estrutura mais profissional. O aprendizado também contribuiu para definir melhor os objetivos da empresa e os passos necessários para alcançá-los.

Eventos como o São João estão abrindo caminhos para a Que Doce, dando mais visibilidade ao negócio. (Divulgação)

Os avanços já aparecem a partir de investimentos no desenvolvimento da empresa com o dinheiro gerado pelas próprias vendas. Segundo as empreendedoras, este desafio inclui o planejamento, respeitando as condições financeiras de cada etapa.

“A experiência mostra que o crescimento de um pequeno negócio não depende apenas de conquistar clientes. É necessário desenvolver capacidades de gestão, adequar a produção e criar condições para que a empresa opere de maneira regular e sustentável”, assinala Nara Corrêa.

“A Que Doce nasceu da união de dois sonhos. Sempre tive vontade de criar algo nosso e começamos fazendo testes e desenvolvendo receitas de sobremesas. A Milena, que também já tinha o desejo de empreender, se juntou a mim. A partir daí, começamos a compartilhar ideias, organizar nossos planos e aperfeiçoar as receitas até chegarmos aos produtos que temos hoje. Assim nasceu a Que Doce!, da nossa vontade de transformar uma ideia em um negócio próprio”, completa a empreendedora.

Saiba onde os novos negócios estão crescendo no Maranhão

Os dados levantados pela Unidade de Inteligência de Dados do Sebrae revelam que a expansão dos pequenos negócios alcança diferentes setores da economia maranhense. Serviços lideram em volume, com 31.584 novas empresas entre janeiro e setembro de 2026, o equivalente a 53,8% do total registrado no período. O setor cresceu 27,8% em relação aos mesmos meses de 2025.

A indústria, segmento no qual a Que Doce! pretende se consolidar, registrou 3.793 novas aberturas, alta de 29,4%. Já a agropecuária apresentou o maior crescimento proporcional entre os setores analisados, com avanço de 48%, passando de 396 para 586 novos negócios. A construção civil também cresceu 27,8%, enquanto o comércio teve expansão de 7,8%.

Entre os segmentos com maior número de aberturas, Logística e Transporte se destacou: passou de 7.372 registros em 2025 para 8.668 em 2026, crescimento de 17,6%. Os demais integrantes do grupo dos cinco principais segmentos — Saúde e Bem-estar, supermercados e atacadistas de alimentos, Casa e Construção e Serviços de Alimentação — apresentaram redução no número de novas empresas.

Sorvetes e doces diferenciados compõem o portfólio da Que Doce, em São Luís. (Divulgação)

A distribuição territorial também revela diferenças. São Luís permanece como principal concentração de novos negócios, enquanto São José de Ribamar registrou crescimento de 12,6% nas aberturas, passando de 3.023 para 3.403 no comparativo entre os períodos analisados. Os números indicam que o empreendedorismo se movimenta de maneira distinta entre os municípios, criando oportunidades e desafios específicos para cada região.

No recorte por porte, o avanço foi puxado principalmente pelos microempreendedores individuais. O Maranhão passou de 32.031 novas formalizações de MEIs, entre janeiro e setembro de 2025, para 41.755 no mesmo período de 2026, crescimento de 30,4%. As microempresas avançaram 1,4%, e as empresas de pequeno porte, 2,5%.

Crescendo com estrutura

O aumento das formalizações amplia a presença dos pequenos negócios na economia estadual, que hoje respondem por mais de 95% do total de empreendimentos formais e ativos no estado. Mas também reforça a importância de apoiar as empresas nas diferentes etapas de desenvolvimento.

Para quem começa, o desafio pode ser transformar uma ideia em produto e conquistar os primeiros clientes. Para quem pretende crescer, entram em cena questões como regularização, gestão, qualidade e capacidade de investimento e viabilidade de mercado.

É nesse percurso que histórias como a de Nara e Milena ganham relevância. As duas não estão apenas desenvolvendo sobremesas: estão construindo uma empresa, aperfeiçoando seus processos e preparando a marca para novos mercados.

Apoiadas pelo Sebrae, elas investem no presente, pensando no futuro. Estão trabalhando o registro do nome empresarial no INPI, o rebranding das redes sociais e do site, rotulagem de produtos e boas práticas de produção, além da adequação da planta de produção para avançar na fabricação das sobremesas congeladas.

“Vivenciamos uma mistura de sentimentos. Ao mesmo tempo que é muito gratificante ver uma ideia nossa tomando forma e se transformando em um negócio real, temos consciência da grande responsabilidade. Empreender exige muito aprendizado, dedicação e paciência, principalmente no início, quando precisamos construir tudo aos poucos. Mas ver a Que Doce! crescendo, mesmo com os desafios, dá ainda mais vontade de continuar. É muito bom saber que estamos construindo algo nosso e trabalhando para transformar esse sonho em realidade”, frisa Milena Godinho Cardoso.

Para as duas empreendedoras, cada etapa vencida aproxima a empresa desse futuro que se desenhou a partir do momento em que elas decidiram transformar aquela doce paixão em negócio. “Agora é seguir buscando melhorar a cada dia”, concluem elas, mostrando que gostar do que se faz pode ser um passo importante para continuar avançando.

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