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Da biodiversidade ao negócio, Maranhão transforma riquezas naturais em inovação

Empreendedores maranhenses desenvolvem produtos a partir de ingredientes regionais e mostram o potencial da bioeconomia para alcançar novos mercados com apoio do Sebrae
Por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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No Maranhão, a floresta, os rios e os saberes tradicionais ultrapassam a paisagem e ganham espaço no mercado como produtos, negócios e novas experiências de consumo. Com 181 municípios inseridos na área da Amazônia Legal, o Maranhão se diferencia nesse cenário. Na Amazônia maranhense, a diversidade de frutos, sementes, fibras, óleos, plantas e outros ativos, somados aos conhecimentos das comunidades que vivem nesse território, representam um campo de oportunidades para empreendedores que buscam inovar e agregar valor ao que é produzido localmente. Nesse contexto, a bioeconomia surge como um caminho para transformar riquezas naturais em negócios, renda e desenvolvimento sustentável.

A Loja Biomarketing do Sebrae valoriza produtos e negócios da bioeconomia, aproximando consumidores de soluções desenvolvidas a partir da biodiversidade e dos saberes dos territórios. (Sebrae/Divulgação)

Celebrado em 5 de setembro, o Dia da Amazônia reforça a importância de olhar para esse patrimônio não apenas pela perspectiva da conservação, mas também pelo potencial de gerar oportunidades de forma responsável. É nessa frente que o Sebrae atua, apoiando pequenos negócios que trabalham com a biodiversidade e estimulando a pesquisa, a inovação, o desenvolvimento de produtos e o acesso a novos mercados. Por meio de iniciativas como o Inova Amazônia e o Inova Cerrado, a instituição busca fortalecer empreendimentos capazes de transformar os ativos de seus territórios em soluções inovadoras, competitivas e com maior valor agregado.

Da biodiversidade ao produto

Um exemplo é a Chambéry, empresa criada pela empreendedora Mayara Chávez, em Imperatriz (MA). A história começou em 2020, durante a pandemia, a partir de um pequeno investimento inicial.

“A Chambéry nasceu em 2020, em um momento muito especial da minha vida, e começou de forma bastante simples. Eu tinha um investimento inicial de aproximadamente três mil reais, vindo do meu auxílio-maternidade, e decidi transformar uma ideia em negócio. Começamos produzindo pipocas artesanais e, em poucos meses, já tínhamos nosso primeiro carrinho e, logo depois, nosso primeiro ponto de venda”, lembra a empreendedora Mayara Chávez.

A empreendedora Mayara Chávez aposta em insumos da biodiversidade maranhense para desenvolver produtos com identidade regional e maior valor agregado. (Sebrae/Divulgação)

Com o tempo, a Chambéry passou a enxergar o alimento também como uma plataforma de inovação, ampliando sua atuação para o desenvolvimento de produtos que valorizam ingredientes da biodiversidade regional que agregam valor aos produtos locais e levam a identidade maranhense para novos mercados.

Entre as criações está a Pipoca de Buriti com Babaçu, que transforma dois ingredientes fortemente associados ao território maranhense em uma experiência de consumo diferente.

“Durante muito tempo, nós olhamos para ingredientes como babaçu e buriti como algo comum, porque eles sempre estiveram muito presentes na nossa região. Mas, quando começamos a estudar mais profundamente a biodiversidade, percebemos o quanto esses frutos são valiosos, ricos em identidade, história e possibilidades de inovação”, afirma a Mayara.

A experiência da Chambéry mostra que trabalhar com ingredientes regionais não significa apenas acrescentá-los a uma receita. Há um processo de pesquisa, desenvolvimento e testes para transformar a matéria-prima em um produto com identidade e valor de mercado.

“Na pipoca, com a combinação do doce do buriti à farinha do mesocarpo do babaçu, buscamos equilíbrio de sabor, textura, aroma e apresentação. Existe todo um processo de pesquisa e desenvolvimento. Partimos de um produto que o consumidor já conhece, que é a pipoca, e incorporamos ingredientes regionais de uma maneira que preserve a experiência sensorial, o sabor e a identidade desses ingredientes”, ressalta.

Para Mayara, é justamente essa transformação que permite que a biodiversidade se converta em oportunidade econômica. “Não se trata apenas de colocar um ingrediente regional dentro de uma receita. Existe a preocupação de transformar esse ingrediente em inovação e gerar valor a partir dele”, completa.

A Pipoca de Buriti com Babaçu, da Chambéry, combina ingredientes da biodiversidade maranhense a um produto já conhecido do consumidor.(Sebrae/Divulgação)

Mais que matéria-prima: oportunidades

Essa mesma lógica aparece na trajetória da Ri2all, negócio criado pela empreendedora Nádia Moura, que desenvolve chás e bebidas a partir de ingredientes do Cerrado e da Amazônia maranhense.

A história da empresa está ligada à própria trajetória profissional de Nádia. O contato com o chá começou por volta de 2006, durante sua formação em Estética, quando ela passou a enxergá-lo não apenas como remédio, mas também como alimento, bebida e experiência. Anos depois, durante a graduação em Nutrição e a participação em pesquisas, surgiu a percepção de que aquele conhecimento poderia se transformar em negócio.

A partir daí, a empreendedora decidiu olhar para os ingredientes disponíveis no próprio território. “O Maranhão é um estado muito rico, com uma biodiversidade enorme. Temos a Amazônia Legal e um Cerrado muito vasto. Eu não queria ter apenas uma empresa para vender chás. Eu queria falar da gente, da nossa cultura, da nossa biodiversidade e das riquezas que temos aqui no Maranhão”, rememora Nádia.

Foi então que Nádia passou a fazer o que chama de “caminho inverso”: primeiro identificar os insumos da Amazônia e do Cerrado maranhense e, depois, pensar em como incorporá-los aos produtos da marca.

“Escolhi os insumos que temos aqui no Maranhão e que fazem parte desses biomas. Escolhi trabalhar com produtos da Amazônia e do Cerrado e comecei a pensar em como poderia trazer isso para dentro de um chá”, explica.

Na Ri2all, a biodiversidade aparece em ingredientes como camapu, cáscara do café, casca do cacau e cumaru. O trabalho envolve pesquisa, desenvolvimento e rastreabilidade das matérias-primas.

O camapu, por exemplo, tornou-se um dos símbolos dessa proposta. Segundo Nádia, em algumas comunidades do interior ele ainda é visto como “mato”, enquanto em outros mercados é valorizado como ingrediente e conhecido como physalis ou goldenberry.

“A ideia é levar para essas pequenas comunidades o conhecimento sobre aquilo que, para elas, é comum e não tem valor, mas que, quando chega a um centro maior, passa a ter um valor muito alto. Um dos papéis da Ri2all é justamente levar esse conhecimento e fazer com que essas pessoas entendam o valor de mercado desses produtos”, destaca a empreendedora.

À frente da Ri2all, Nádia Moura transforma ingredientes do Cerrado e da Amazônia maranhense em chás e bebidas inovadoras. (Sebrae/Divulgação)

A proposta também inclui o aproveitamento de partes de produtos que poderiam ser descartadas, como a cáscara do café e a casca do cacau, incorporadas aos blends da marca. O cumaru, conhecido como a “baunilha da Amazônia”, também integra as combinações desenvolvidas pela empresa.

Foram dois anos e meio de pesquisa e desenvolvimento até o lançamento da marca, em junho de 2025, na Naturaltech, em São Paulo. O esforço foi reconhecido já na estreia: a Ri2all conquistou o primeiro lugar na categoria de bebidas não alcoólicas da feira, com uma combinação de mate verde, urucum, pimenta-rosa, abacaxi e hortelã, em uma disputa que reuniu cerca de 400 empresas.

“Foi um período intenso de pesquisa, testes e desenvolvimento. A gente precisava entender como esses ingredientes poderiam se integrar aos produtos, mantendo suas características e, ao mesmo tempo, criando uma experiência nova para o consumidor. Foram muitos testes até chegar a uma formulação que representasse aquilo que queríamos entregar”, explica Nádia Moura.

“Hoje, olhando para o crescimento da empresa e para onde conseguimos chegar, vejo que todo esse processo foi fundamental. A gente começou pequeno, mas sempre teve a preocupação de construir algo que tivesse identidade, que valorizasse o que é nosso e que pudesse crescer sem perder esse propósito. É muito gratificante perceber que aquilo que nasceu de uma ideia e de muita pesquisa hoje está chegando a outros mercados e ganhando cada vez mais espaço”, completa.

Uma nova economia se forma a partir dessas potencialidades territoriais 

A bioeconomia é um ativo que vai além da exploração de matéria-prima. Ela envolve conhecimento, pesquisa, inovação, desenvolvimento de produtos, acesso a mercados e capacidade de gerar valor a partir dos recursos existentes no território.

Chás e bebidas da Ri2all incorporam ingredientes como camapu, cumaru, urucum, cáscara do café e casca do cacau, valorizando ativos da biodiversidade maranhense.(Sebrae/Divulgação)

Para Mayara, o Maranhão ainda tem muito potencial a ser explorado. “Eu acredito que ainda exploramos muito pouco o potencial econômico da nossa biodiversidade. Temos frutos, sementes, óleos, farinhas e inúmeros outros ativos naturais que podem originar alimentos, cosméticos, ingredientes funcionais, produtos tecnológicos e muitas outras soluções”, observa a empresária.

Mas, para que esse potencial se transforme em desenvolvimento, é preciso avançar para além da comercialização da matéria-prima. Nádia destaca que a bioeconomia pressupõe conhecimento e inovação para transformar os recursos naturais em produtos de maior valor.

“Bioeconomia não significa simplesmente retirar um recurso da natureza e comercializá-lo. Precisamos gerar valor. Precisamos de pesquisa, tecnologia, design, inovação, processamento e mercado”, afirma.

Inovação como diferencial – Essa transformação também pode movimentar uma cadeia formada por diferentes atores. Para César Guimarães, gerente estadual de Inovação do Sebrae Maranhão, o desafio é fazer com que a riqueza do território se converta em oportunidades para diferentes segmentos e negócios. “Quando conseguimos transformar uma matéria-prima local em um produto de maior valor agregado, criamos oportunidade para quem produz, para quem transforma, para quem comercializa e para toda uma cadeia de pequenos negócios”, destaca.

Ele ressalta ainda que essas características do território podem se tornar diferenciais competitivos para os pequenos negócios. “A oportunidade está justamente em transformar aquilo que já faz parte do nosso território em diferencial competitivo. Temos ingredientes nativos, conhecimentos tradicionais, identidade cultural e uma biodiversidade muito rica, que podem ser incorporados a produtos e serviços inovadores. O papel do Sebrae é apoiar os pequenos negócios para que eles consigam transformar esses ativos em oportunidades de mercado, gerando valor para o empreendedor e para o próprio território”, conclui.”

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