Maria Antonia da Silva, de Buriticupu, participa do Força Mulher. No programa, ela descobriu como transformar o aprendizado em oportunidades a partir de algo que já desejava fazer, mas ainda não tinha condições financeiras para buscar.
“Eu vi uma ótima oportunidade de aprendizado que eu já buscava, mas no momento não tinha condições de pagar um curso tão completo”, conta. A experiência, segundo ela, também trouxe um novo estímulo para acreditar no próprio trabalho e no empreendedorismo como possibilidade de mudança.
Em Cidelândia, a motivação de Lucileide Costa Silva foi semelhante, mas partiu de outro desejo: aprender algo novo. “Sou muito caseira”, explica. Ao participar da capacitação, ela descobriu que os conhecimentos adquiridos poderiam ir além de uma nova habilidade. “Posso criar meu próprio emprego e também aumentar minha renda financeira e minha autoestima”, afirma.
Já em Açailândia, Francisca Aldaiane dos Santos também encontrou no programa uma oportunidade, aproximando-se da culinária e da confeitaria. Ela participou do curso de confeitaria básica, com foco na produção de bolos e outros produtos, e destaca que o aprendizado ultrapassou as técnicas de preparo. “Aprendi muito durante o curso, principalmente sobre a importância de preparar um produto com qualidade, cuidado e dedicação”, relata.
Iniciativa transformadora – As histórias das participantes fazem parte de uma iniciativa que busca levar conhecimento e novas perspectivas para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Na Unidade Regional da Pré-Amazônia, o Força Mulher foi desenvolvido em quatro municípios: Açailândia, Bom Jesus das Selvas, Buriticupu e Cidelândia, com aproximadamente 90 mulheres capacitadas, todas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico).
A proposta é utilizar a capacitação profissional e o empreendedorismo como portas de entrada para a geração de renda e a conquista da autonomia financeira.
“A intenção é incentivar essas mulheres a empreender e sair da vulnerabilidade do desemprego, para que elas possam ver no empreendedorismo uma forma de ter suas próprias finanças e conquistar autonomia financeira”, explica Sara Cristina, analista do Sebrae Maranhão responsável pelo programa na região.
Capacitação para transformar conhecimento em renda
As capacitações foram adaptadas às características de cada município. Em Açailândia, as participantes tiveram formação na área de confeitaria de bolos. Já em Bom Jesus das Selvas, Buriticupu e Cidelândia, o conteúdo técnico foi direcionado à produção de lanches diversos.
Além da formação prática, o programa trabalha conhecimentos que podem ajudar as mulheres participantes a transformar o que aprenderam em uma fonte de renda. Entre os temas abordados estão gestão, marketing, finanças e formas de acesso ao mercado.
Para Francisca dos Santos, o aprendizado sobre divulgação foi um dos diferenciais da experiência. “Aprendi não somente a elaborar e produzir os produtos, mas também sobre a forma correta de apresentar, publicar e divulgar aquilo que estou produzindo”, destaca.
A participante de Açailândia também passou a enxergar a qualidade dos produtos como um elemento essencial para a construção de um negócio. “Percebi que a qualidade é fundamental para conquistar e fidelizar os clientes”, afirma. Para ela, os conhecimentos adquiridos representaram um primeiro passo para transformar a capacitação em oportunidade profissional e, a partir daí, sua própria realidade.

Segundo a analista Sara Cristina, o objetivo do programa é justamente oferecer ferramentas para que mulheres que muitas vezes estão fora do mercado de trabalho possam identificar no empreendedorismo uma possibilidade de geração de renda. “São mulheres que estão em situação de vulnerabilidade e, muitas vezes, desempregadas. A gente busca capacitá-las para que possam empreender e tenham uma porta de entrada para conquistar sua autonomia financeira”, explica.
Mais que uma capacitação, um caminho para a autonomia
O Força Mulher também contempla uma dimensão socioemocional, considerando os diferentes desafios enfrentados pelas participantes. A proposta é que o desenvolvimento das mulheres não esteja restrito ao aprendizado de uma atividade profissional, mas também envolve aspectos relacionados à confiança e à percepção de novas possibilidades para suas próprias vidas.
Em Buriticupu, Maria Antônia afirma que o impacto da experiência foi além do conteúdo aprendido durante a capacitação. “O conhecimento que adquiri nesse curso teve um grande impacto na minha vida pessoal e como empreendedora”, relata.
Já para Lucileide Costa Silva, a possibilidade de criar o próprio emprego representa uma perspectiva concreta de mudança. A partir dos conhecimentos adquiridos, ela passou a enxergar novas possibilidades para complementar a renda e, ao mesmo tempo, investir em seu desenvolvimento pessoal.
As ações também devem avançar para outras etapas de apoio às participantes. De acordo com Sara, estão previstas iniciativas voltadas ao acesso ao mercado, incluindo orientações relacionadas a crédito e finanças, além da realização futura de uma feira com as mulheres que participaram das capacitações.
“A gente ensina como a mulher pode acessar o mercado, tanto em relação a crédito quanto a finanças, e futuramente também será realizada uma ação de feira com elas”, explica a analista. Esse acompanhamento é importante para que o conhecimento adquirido durante os cursos possa se transformar efetivamente em oportunidade de geração de renda.
Ao reunir capacitação técnica, conhecimentos de gestão e atenção aos aspectos socioemocionais, o Força Mulher amplia as possibilidades para mulheres que buscam uma alternativa diante da vulnerabilidade e do desemprego.
Na Pré-Amazônia, as histórias de Maria Antônia, Francisca e Lucileide mostram que, para além de aprender a fazer bolos ou lanches, a formação pode significar o primeiro passo para acreditar na própria capacidade de construir uma nova fonte de renda e conquistar mais autonomia.


