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Quando os primeiros raios de sol iluminam a cidade de São Luís, o dia encontra Neide Baldez com o pensamento em Deus, com gratidão. Para o dia seguir feliz, o sorriso direciona a atenção para a rotina. “Vejo se tenho encomendas, se preciso costurar, o que vou produzir, se vou para alguma loja tirar plantão ou se tem alguma feira, sempre com alegria, apesar dos desafios”, explica ela.

Neide Baldez: trajetória une empreendedorismo, inspirando transformações de outras mulheres. (Sebrae/Divulgação)

Neide personifica uma estatística importante no Maranhão, estado que figura como o de maior taxa de empreendedorismo entre negros, de acordo com um levantamento divulgado pelo Sebrae em novembro. Entre os empreendedores formais e ativos do estado, cerca de 80% dos se autodeclaram negros, o que reforça o aumento do protagonismo e empoderamento na economia, gerando histórias de determinação, superação e persistência, como a de Neide.

Com chuva ou sol, a agenda dela começa sempre às seis horas da manhã. Envolve as obrigações com a vida de empreendedora e família. A semana se prolonga de domingo a domingo, como testemunha de uma vida forjada na resiliência, na autoafirmação, tudo para fortalecer um negócio onde o futuro, às vezes difícil, já é agora. Ao deixar para trás uma carreira CLT e superando uma crise pessoal, anos atrás ela se reinventou, fundando a Tok Africano, uma marca que vai além da venda de acessórios, mas promove “letramento racial e o empoderamento de mulheres pretas”.

A jornada de Neide já soma seis anos. Formada em Administração de Empresas, ela lembra ter sido a primeira mulher a atuar no “carro do ovo”. “Comecei com a cara e a coragem, nos bairros de São Luís. O negócio cresceu e cheguei a ter um ponto físico, chamado de Kitanda. Mas, um dia, precisei rever a trajetória e buscar recomeços”, relata Neide.

Foram quatro anos, até que a falta de segurança a levasse a retornar ao mercado como CLT, em um período de grande insatisfação. “Eu ia para o serviço chorando e voltava chorando, porque não era o que eu queria. O serviço era, para mim, profundamente destruidor,” conta Neide. Esse momento de vulnerabilidade emocional, quase gerou uma depressão e ela precisou buscar apoio psicológico. Decidiu, então, que não voltaria à rotina de escritório, optando por retornar ao empreendedorismo.

“Eu trabalhava no Departamento Pessoal de uma escola renomada em São Luís, onde ficava presa em meio a um monte de papel. Aquilo me sufocava. Eu estava ali pela questão financeira, mas eu não conseguia mais me identificar com aquilo”, acrescenta.

Um dia, ela percebeu que o empenho e a dedicação oferecidos àquela empresa poderiam ser empregados em benefício próprio. Foi então, que Neide partiu para um negócio próprio, com alma, jeito e valores que ela mesma cultiva.

O poder da identidade e o apoio do Sebrae

A virada veio através de uma confluência de fatores: o processo de afirmação de sua identidade como mulher preta, o gosto por acessórios afro e uma visão de mercado que mostrava que um empreendimento nesse campo teria amplas condições de prosperar.

No começo de tudo, uma passagem pelo Centro Histórico em uma loja de artesanato marcou os primeiros passos da empreendedora já convicta da missão como empreendedora. “Eu estava passando por um processo de me entender como mulher [preta]. E aí veio o olhar da minha filha, que me disse: “ – Por que a senhora não empreende em algo voltado para isso?” relembra. Sempre fui muito vaidosa e gostei de acessórios de cabelo. E esse foi o gancho, o start para iniciar no afroempreendedorismo”, observa ela, emocionada.

Tok Africano celebra a luta de Neide Baldez, empreendedora negra que se tornou Embaixadora do Sebrae no Maranhão. (Sebrae/Divulgação)

O Sebrae foi fundamental na transição. Através de pesquisas de mercado e de inúmeros cursos gratuitos em áreas como gestão, marketing, transformação digital e finanças, entre outros, Neide foi se aprimorando. Aprendeu tudo o que podia e logo descobriu o potencial do mercado ancestral, decidida a atuar neste nicho, unindo propósito, rentabilidade e um olhar para o afroempreendedorismo, que dava os primeiros passos.

“No começo, tive dificuldades com a costura, com fornecedores, com a gestão e o modelo de negócios. Mas o Sebrae, sempre ali, ajudando, sendo parceiro desde o primeiro momento. Essa parceria se iniciou com os cursos, oficinas até chegar aos eventos e feiras. O Sebrae foi me dando visibilidade, gerando network e conhecimento, consolidando a certeza de estar no caminho certo. Hoje, eu digo com muito orgulho: sou Embaixadora do Sebrae no Maranhão e posso dividir meu aprendizado com outras mulheres”, afirma.

Tok Africano: mais que vendas, propósito e empoderamento

Com “força e fé”, surgia a Tok Africano. Neide enfatiza que o diferencial da empresa não é a venda de turbantes, bolsas e indumentária artesanais para o público afro, mas sim o processo de identificação e de letramento racial que o negócio tem ajudado a promover, fortalecendo o empreendedorismo feminino e a prática da cooperação, como bases para um modelo de gestão humano e mais feliz.

“O turbante é uma consequência, mas esse processo de letramento racial que eu passo enquanto mulher preta, é que o vai nos conectando com outras pessoas que estão passando por esse processo também. É como se fosse um aquilombamento de pessoas que têm o mesmo sentimento”, define ela.

Atualmente, a Tok Africano está presente em espaços parceiros, como o Ateliê Pimentinhas, no Centro Histórico (Praça João Lisboa), onde Neide trabalha junto com outros seis empreendedores. Ela já possui parcerias com social media, costureiras e fornecedores, buscando expandir para alcançar seus sonhos de futuro: uma estrutura física própria e ser referência nacional em afroempreendedorismo, por que não?

Cliente Soraya Mendonça destaca acolhimento e bons produtos como diferenciais da Tok Africano e de Neide Baldez. (Sebrae/Divulgação)

Ela também atua em duas lojas colaborativas: a da Feira MA Preta, no Rio Anil Shopping e da Fequili (Feira de Empreendedores do Quilombo Urbano da Liberdade), no Centro de Atendimento ao Turista – CAT, no bairro da Liberdade. E mais: ela participa da Feirinha São Luís aos domingos, no Centro Histórico, e também atua com entregas, sempre pensando no cliente.

“Eu percebi que posso fazer disso um propósito na minha vida, posso empreender no que gosto, trabalhar com o que gosto e fazer com que outras pessoas também gostem, se descubram e se vejam como potência empreendedora”, reflete ela.

Esses detalhes têm feito a Tok Africano crescer. Sempre alegre e sorridente, Neide não atende, acolhe. Essa característica é atestada por clientes como Soraya Mendonça, que elogia o atendimento e o mix da loja. “Tudo me chamou a atenção e o atendimento é sempre muito bom, fazendo de cada visita à loja um momento prazeroso”, ressaltou.

Lições e sonhos

Entre lições da trajetória, Neide destaca que estudo (conhecimento), disciplina e senso de oportunidades, aliados a uma forte rede de apoio forte, são capazes de transformar crises pessoais em negócios prósperos.

Quando ela pensa em legados, lembra que os filhos estão seguindo suas próprias jornadas. O filho, vive no Rio, onde conclui formação em Comunicação e Publicidade. E a filha de 15 anos, tem outros propósitos. “Penso, então, que impactar outras mulheres é um legado importante, aliado à busca por conhecimento. “Você pode perder tudo, menos a tua cultura e o que você aprende. Me orgulho muito de contribuir com outras mulheres nessa descoberta”, celebra Neide.

Venda de ovos assinala os primeiros passos da empreendedora Neide Baldez, com a ajuda da família. (Sebrae/Divulgação)

“Às vezes a gente se auto-sabota, não acredita na própria capacidade. Se temos um sonho, é justo acreditar que somos capazes. Eu não sabia ligar uma máquina e nem costurar. Se cheguei até aqui e tenho um espaço de fala, e quero crescer e melhorar sempre, muitas outras mulheres também podem. Só não podemos desistir a cada desafio”, conclui ela.

Sobre o Sebrae

Se você tem interesse em saber mais sobre a atuação do Sebrae e como a instituição pode apoiar o empreendedor, busque orientações nas Unidades de Negócios, na capital e no interior (nos municípios de Açailândia, Balsas, Bacabal, Caxias, Chapadinha, Imperatriz, Grajaú, Pinheiro, Presidente Dutra, Rosário, Santa Inês e São Luís), ou ainda, no NAE Barreirinhas, NAE Timon e nas Salas do Empreendedor localizadas por todo o Maranhão.

Remotamente, também pode buscar informações no Portal Sebrae (sebrae.com.br) ou receber orientações pela Central de Atendimento do Sebrae pelo 0800 570 0800. Telefone/WhatsApp: 0800 570 0800. Canais Digitais Sebrae no Maranhão: Instagram (@sebraemaranhao), YouTube Sebrae Maranhão (https://www.youtube.com/sebraemaranhao).

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