ASN MA
Compartilhe

Quando a merenda nasce na escola: projeto transforma rotina de alunos em São João do Paraíso (MA)

Iniciativa que une sustentabilidade, alimentação saudável e participação comunitária está inscrita no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora.
Por Assessoria de Comunicação - ASCOM
ASN MA
Compartilhe

Em São João do Paraíso (MA), a merenda escolar deixou de depender exclusivamente de compras externas para começar a ser produzida dentro do próprio colégio. O projeto “Horta Escolar: Cultivando Sabores e Conhecimentos” reorganiza a rotina escolar ao integrar cultivo de alimentos, atividades pedagógicas e participação da comunidade em um mesmo processo. A proposta vai além de implantar uma horta: cria um sistema em que alunos acompanham todas as etapas, do plantio ao consumo.

A proposta está alinhada às ações já desenvolvidas no município em parceria com o Sebrae, por meio do programa Educação Empreendedora, como o JEPP (Jovens Empreendedores Primeiros Passos), as Oficinas de Empreendedorismo e o Projeto de Vida, Empreendedorismo e Finanças. Temas trabalhados em sala de aula — como soluções sustentáveis, sabores e cores regionais e a descoberta dos alimentos — contribuíram para a construção de uma base prática voltada à implantação da horta, promovendo a integração entre teoria e vivência.

Nesse sentido, a iniciativa surge não de forma isolada, mas como desdobramento de um processo educativo que já estimulava os alunos a olhar para o consumo consciente, a valorização da produção local e a busca por soluções dentro da própria realidade.

A iniciativa surge como resposta a desafios concretos, como a necessidade de melhorar a qualidade da alimentação oferecida e de tornar o aprendizado mais prático e conectado com a realidade dos estudantes. Com a produção de hortaliças sem uso de agrotóxicos, a escola passa a incorporar alimentos frescos à merenda, ao mesmo tempo em que utiliza a horta como ferramenta pedagógica.

Com a produção de hortaliças sem uso de agrotóxicos, a escola passa a incorporar alimentos frescos à merenda. (Sebrae / Divulgação)

O projeto também marca uma mudança na dinâmica da unidade escolar. “Logo no início do ano passado, a gente foi abordado pela Secretaria de Agricultura, que trouxe essa proposta. Ficamos muito felizes em ser a primeira escola contemplada para desenvolver o projeto”, relembra a gestora da creche Selene Guimarães, Enelí Xavier Souza.

O modelo dialoga diretamente com diretrizes nacionais de alimentação escolar, que incentivam o uso de produtos da agricultura familiar e práticas sustentáveis. Ao internalizar parte dessa produção, a escola não só reduz custos, como também reforça a lógica de consumo consciente e aproxima os alunos da origem dos alimentos.

Essa abordagem também se conecta a estratégias apoiadas pelo Sebrae, que estimulam a educação empreendedora e o desenvolvimento sustentável desde a base. Ao transformar a horta em espaço de aprendizagem ativa, o projeto aproxima conceitos como produção, gestão de recursos e responsabilidade coletiva, mostrando que iniciativas simples, quando bem estruturadas, podem gerar impacto educacional, social e até econômico no território.

Da horta ao prato: aprendizado que alimenta

Na prática, a iniciativa cria um ciclo completo de aprendizado: plantar, cuidar, colher e consumir. Esse processo aproxima os estudantes da origem dos alimentos e contribui para hábitos mais saudáveis, algo essencial diante do avanço de dietas baseadas em ultraprocessados entre crianças e adolescentes.

Na cozinha da escola, a mudança já é perceptível. “Antes a gente precisava comprar tudo, agora muita coisa é colhida aqui mesmo. Tem alface, cebolinha, couve…tudo produzido na escola”, afirmou a merendeira Zezília Silva, revelando não somente a melhoria na qualidade da merenda, mas também uma redução de custos e maior autonomia da unidade escolar.

O impacto também foi percebido pela gestão da instituição, especialmente na qualidade dos alimentos ofertados. “É uma sensação muito boa saber que estamos consumindo um produto sem agrotóxico, com qualidade. Ter essa segurança na alimentação das crianças é algo de um valor imensurável para a escola”, destaca a gestora da creche Selene Guimarães.

Além disso, o projeto se conecta com uma tendência crescente nas redes públicas de ensino: incorporar práticas de educação alimentar e ambiental ao currículo. Ao transformar a horta em sala de aula viva, a escola amplia o aprendizado para além dos livros e fortalece competências como responsabilidade, cooperação e consciência ambiental.

Pais, alunos, agricultores e comerciantes locais participam ativamente da construção e manutenção da horta, desde a coleta de materiais recicláveis até o fornecimento de insumos. (Sebrae / Divulgação)

O engajamento coletivo tem sido um diferencial nesse processo. “Todos abraçaram de forma extraordinária. Os pais ajudaram com as garrafas PET, os professores se envolveram desde o início e as crianças participaram de tudo com muito entusiasmo”, reforça Enelí.

Comunidade, alimentação e desenvolvimento local

Outro ponto central da iniciativa é o envolvimento da comunidade. Pais, alunos, agricultores e comerciantes locais participam ativamente da construção e manutenção da horta, desde a coleta de materiais recicláveis até o fornecimento de insumos. Esse movimento fortalece o vínculo entre escola e território e amplia o alcance do projeto. “Os pais foram muito colaborativos, muito mesmo. Eles se envolveram, ajudaram e continuam participando, o que faz toda a diferença para o sucesso do projeto”, completa Enelí.

Para Isla Marília da Silva Moraes, mãe de um estudante, o impacto vai além da escola. “É algo novo e muito importante, porque traz uma alimentação saudável para as crianças. E ver todo mundo participando faz a diferença”, afirma.

Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora

O projeto está inscrito no Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora, na categoria Sustentabilidade e Meio Ambiente. A premiação reconhece iniciativas que apresentam soluções inovadoras na gestão pública e que geram impacto direto na vida da população. A etapa estadual acontece no próximo dia 10 de abril, reunindo iniciativas de todo o Maranhão, e a etapa nacional está prevista para ocorrer entre 27 de maio e 11 de junho, em Brasília.

Ao transformar a merenda em aprendizado e a escola em espaço de produção, a iniciativa de São João do Paraíso mostra que sustentabilidade, educação e desenvolvimento podem caminhar juntos.

  • Empreendedorismo
  • PSPE 2026
  • São João do Paraíso
  • Sebrae
  • sustentabilidade
  • UNImperatriz