ASN MA
Compartilhe

Artesanato maranhense ganha projeção nacional e atrai lojistas na 8ª Fenacce

Com apoio do Sebrae Maranhão, quatro empreendedoras do estado participaram do maior festival de artesanato do Brasil, realizado no Ceará.
Por Assessoria de Comunicação - ASCOM
ASN MA
Compartilhe

OUÇA ESTA MATÉRIA 🎧

A Fenacce, maior festival de artesanato do Brasil, chegou à oitava edição reunindo cultura e oportunidades de negócios. Realizada de 4 a 13 de setembro, em Fortaleza (CE), a feira recebeu artesãos de todo o país, entre eles quatro representantes do Maranhão apoiadas pelo Sebrae.

A edição de 2026 contou com cerca de 400 estandes e uma estimativa de 4 mil artesãos de diferentes áreas, reunindo trabalhos em couro, madeira, fibras, barro, renda, crochê e outras técnicas presentes nas diferentes regiões brasileiras.

Do Maranhão, participaram as empreendedoras Maria dos Navegantes Pinho da Silva (Tutóia), Maria do Remédio do Nascimento (São Luís), Iara Teixeira (São Luís) e Rita de Cássia Duarte (Raposa). As artesãs tiveram espaço para exposição e comercialização dos produtos, além da possibilidade de aproximação com potenciais compradores.

Maranhão participa da 8ª Fenacce com trabalhos de artesãs do estado, apresentados ao público durante os dez dias de programação, em Fortaleza. (Sebrae/ Divulgação)

Para Flávia Nadler, gestora estadual de Turismo e Artesanato do Sebrae Maranhão, estar em uma feira nacional amplia a visibilidade dos trabalhos e coloca os artesãos em contato direto com novas referências de mercado.

“Eventos como a Fenacce criam oportunidades para comercialização, relacionamento com compradores, troca de experiências e conhecimento de novas tendências. Também são importantes para mostrar a diversidade do artesanato maranhense e ampliar a presença dos nossos artesãos em mercados que vão além do estado”, explica.

Entre os trabalhos apresentados estava a renda de bilro produzida por Rita de Cássia, integrante da Associação das Rendeiras de Bilro de Raposa. Ela, que começou a aprender a técnica ainda criança, vê no artesanato uma ligação direta com sua própria história.

“A renda faz parte da minha vida e da minha identidade, porque, através dela, eu mantenho viva uma tradição que aprendi há muito tempo e que carrego com orgulho”, conta.

Além de complementar a renda da família, o trabalho representa, para Rita, uma forma de preservar e transmitir um saber tradicional.

“Fazer renda é uma maneira de expressar a nossa criatividade, a nossa arte e a nossa cultura. Nós, rendeiras, ajudamos a preservar essa arte e a transmiti-la para as novas gerações”, afirma.

Rita de Cássia Duarte, da Associação das Rendeiras de Bilro de Raposa, demonstra a técnica da renda de bilro durante a Fenacce. (Sebrae/ Divulgação)

A participação na Fenacce também abriu espaço para observar outras formas de renda. Para Rita, estar no Ceará, estado com forte tradição nesse tipo de trabalho, tornou a experiência ainda mais significativa.

“Foi uma grande oportunidade de valorizar e divulgar a renda de bilro e de trocar experiências. Também viemos mostrar que nós fazemos renda no Maranhão e representar o nosso estado e a nossa cidade”, destaca.

Para Maria do Remédio do Nascimento, que trabalha com bolsas feitas à mão com fibra de buriti, a relação com o artesanato começou durante a pandemia. Em um momento de fragilidade emocional, encontrou no fazer manual uma forma de ocupar a mente e atravessar aquele período.

O que começou como uma válvula de escape ganhou espaço e passou a integrar sua vida profissional. Na Fenacce, Maria do Remédio participou pela primeira vez de uma feira nacional.

“Foi uma experiência única, porque nunca tinha participado de uma feira dessa magnitude. Foi um grande aprendizado, de conhecimento e de experiência”, afirma.

Os resultados apareceram ainda durante o evento. Segundo ela, o evento contribuiu para ampliar as vendas e gerar novos contatos com clientes.

“Consegui alavancar as vendas e também fiz muitos contatos com novos clientes. O apoio do Sebrae foi de grande importância, porque foi através dele que conseguimos estar presentes e viver toda essa experiência”, acrescenta.

A geração de negócios faz parte da proposta da participação maranhense. O projeto da missão previa a comercialização dos produtos e ações de aproximação com compradores, além de considerar o aumento do faturamento entre os resultados esperados.

A própria programação da Fenacce reservou espaço para essa conexão com o mercado. No primeiro dia, compradores lojistas credenciados tiveram acesso exclusivo ao evento, em uma estrutura voltada à realização de negócios, e a programação também contou com iniciativas de networking entre artesãos e compradores.

Maria do Remédio do Nascimento apresenta bolsas feitas à mão a uma visitante da Fenacce, em Fortaleza. (Sebrae/ Divulgação)

Uma feira para “furar a bolha”

Para Iara Teixeira, da Sereia Papelaria Artesanal, a participação representou um passo que já vinha sendo desejado há algum tempo: levar o ateliê para fora do Maranhão.

Sua história com a encadernação começou há seis anos, depois de ganhar de uma amiga um caderno artesanal. Apaixonada por papelaria, queria outros produtos semelhantes, mas não tinha condições de comprá-los. Resolveu, então, produzir o próprio caderno.

Com um prego, um alicate, linha de costura e os materiais que encontrou em casa, fez a primeira peça.

“O artesanato entrou na minha vida como um presente. Começou como um hobby, virou um amor e depois se transformou no trabalho que me mantém financeiramente. É também o lugar onde eu consigo expressar minha criatividade”, conta.

O ateliê começou a participar de feiras em São Luís ainda nos primeiros meses de funcionamento. Mas a Fenacce representou a primeira experiência de Iara em um evento fora do estado.

“Foi onde a minha bolha foi estourada. Meu olhar se expandiu muito. Vi artes, técnicas e trabalhos que eu nunca tinha visto pessoalmente. Foi uma oportunidade de entender a dimensão do artesanato brasileiro e também perceber que a minha arte pode encantar pessoas em qualquer lugar do país”, afirma.

Iara Teixeira, da Sereia Papelaria Artesanal, levou cadernos e outros produtos de encadernação artesanal para sua primeira participação em uma feira fora do Maranhão. (Sebrae/ Divulgação)

A percepção veio acompanhada de resultados. Iara chegou a Fortaleza com quatro malas de produtos e retornou com quase tudo vendido. Também ganhou novos seguidores nas redes sociais, recebeu contatos para produção de brindes corporativos e iniciou uma conversa para realização de oficina de encadernação.

Um dos momentos que mais chamou sua atenção aconteceu quando visitantes reconheceram seu trabalho na feira porque já haviam comprado seus produtos durante viagens a São Luís.

“Foi uma realização. Eu sabia que o ateliê precisava pisar em outros ambientes, precisava furar a bolha. O Sebrae foi o caminho para que isso acontecesse”, destaca.

Já a participação de Maria dos Navegantes levou à Fenacce uma produção construída longe da capital maranhense. Moradora de Tutóia e integrante da Associação dos Artesãos Esperança de Tutóia e Adjacências, ela começou a trabalhar com crochê por volta dos 14 anos. Com o tempo, passou a integrar a associação e incorporou também o trabalho com fibras à sua produção artesanal.

“Estar na Fenacce foi uma experiência incrível. Fiz boas vendas, consegui contatos com novos clientes e gostei muito de participar. Para mim, foi muito proveitoso”, afirma.

Maria dos Navegantes, de Tutóia, participou pela primeira vez da Fenacce, levando à feira trabalhos desenvolvidos a partir do crochê e das fibras artesanais. (Sebrae/ Divulgação)

A presença de Maria dos Navegantes também traduz uma das preocupações do trabalho desenvolvido pelo Sebrae no estado: ampliar as oportunidades para artesãos de diferentes territórios. O projeto da missão priorizou a participação de representantes de associações e cooperativas e destinou vagas a diferentes polos de atuação.

Para David Amorim, gerente da Unidade Regional dos Lençóis-Delta, levar esses trabalhos para espaços nacionais também contribui para dar visibilidade à diversidade existente dentro do próprio Maranhão.

“Quando apoiamos a participação de artesãos de diferentes municípios, conseguimos mostrar que o artesanato maranhense tem muitas identidades. São técnicas, matérias-primas, histórias e conhecimentos ligados a diferentes territórios. O trabalho desenvolvido em Tutóia, por exemplo, carrega características próprias daquela região e precisa ter acesso a espaços onde possa ser conhecido, comercializado e valorizado”, finaliza David.

  • apoio Sebrae
  • artesanato
  • fenacce 2026
  • Sebrae Maranhão