Fale conosco 9 Acessibilidade 0
Logotipo do Sebrae. O nome “Sebrae” em letras maiúsculas de cor azul, acompanhado de duas barras horizontais azul na parte superior e duas na parte inferior. Acesse o Portal Sebrae
Você está na ASN
ASN MA
Compartilhe
ASN MA
Compartilhe

O som ritmado dos bilros batendo na almofada, aprendido ainda na infância, foi o que guiou Darly Menezes por um caminho que hoje mistura memória, sustento e protagonismo feminino. Em Raposa (MA), onde a renda de bilro é tradição, ela transformou o saber herdado da avó em fonte de renda para si e outras mulheres. Um percurso que ganhou novos rumos a partir do acesso a capacitações e orientações voltadas ao empreendedorismo, como as oferecidas pelo Sebrae no Maranhão.

“Não é só saber fazer renda, é manter viva a história da minha família”, resume. Ela aprendeu ainda na infância, com a avó, a técnica que exige paciência e precisão. Entre linhas e bilros, Darly mantém viva uma prática que é patrimônio cultural e, ao mesmo tempo, fonte de renda. “Foi uma forma que encontrei de criar algo diferente, que representasse o nosso município e ajudasse a manter viva a tradição da renda de bilro. É sobre preservar essa memória, dando continuidade a algo que vem de geração em geração: da minha avó, minha bisavó, minha mãe”.

Darly Menezes exibe detalhes da renda produzida manualmente, evidenciando a delicadeza e o cuidado presentes em cada peça. (Arquivo pessoal)

Com o tempo, o saber tradicional se transformou em negócio. Atualmente, Darly preside a Associação das Rendeiras, que reúne 45 mulheres. Juntas, participam de feiras dentro e fora do estado e encontram no artesanato uma forma de autonomia financeira. “É um trabalho de mulheres protagonistas, que contam sua história através da renda. Cada dia mais a gente une forças para que essa tradição não morra, porque é uma parte da gente, que a gente dá continuidade todos os dias”, afirma.

Ao buscar estruturar melhor a atividade, Darly e o grupo passaram a acessar capacitações e orientações voltadas à gestão e comercialização. Esse processo contribuiu para mudanças práticas no dia a dia da produção e das vendas, sem perder a essência do trabalho artesanal.

“Foi uma virada de chave. A gente aprendeu desde o acabamento até a forma de vender melhor. Isso ampliou muito nossas possibilidades”, conta.

A artesã Darly Menezes expõe peças em renda artesanal, técnica tradicional que valoriza o trabalho manual e a cultura local. (Arquivo pessoal)

Se a história de Darly é marcada pela continuidade de um saber ancestral, a de Núbia Lafayete começa pela descoberta. Há três anos, ela não se imaginava artesã. Foi durante uma capacitação voltada para um grupo de mulheres em Panaquatira que teve o primeiro contato com a atividade e enxergou ali uma oportunidade de geração de renda. “Tudo começou com um curso ministrado pelo Sebrae”, conta a artesã.

A partir do reaproveitamento de escamas de peixe, Núbia passou a produzir flores e biojoias, unindo sustentabilidade e empreendedorismo. “Além de gerar renda, nosso trabalho beneficia o meio ambiente, com a redução da poluição, o reaproveitamento de resíduos e a valorização da natureza”, explica Núbia.

Hoje dedicada integralmente ao artesanato, ela ampliou a produção, participou de feiras e começou a construir uma rede de contatos. O acesso a oficinas, eventos e orientações voltadas ao empreendedorismo tem sido parte desse processo de consolidação do negócio.

“Cada exposição é uma nova experiência, uma oportunidade de fazer conexões e descobrir caminhos para crescer”, diz.

A artesã Núbia Lafayete transforma escamas de peixe em flores decorativas, unindo sustentabilidade e criatividade no artesanato. (Arquivo pessoal)

Capacitação como ponto de virada

As histórias de Darly e Núbia refletem diferentes caminhos dentro do artesanato, mas convergem em um ponto central: a importância do acesso à qualificação.

No caso de Núbia, a capacitação foi o ponto de partida para a entrada no setor. Já para artesãs como Darly, que carregam um saber recebido como herança, o apoio técnico contribui para aprimorar processos, melhorar a gestão e ampliar mercados.

Nesse cenário, o Sebrae Maranhão atua com iniciativas voltadas à qualificação, gestão e acesso ao mercado, apoiando artesãos na estruturação dos seus negócios e no fortalecimento da atividade. Durante o mês de março, a instituição também tem promovido ações de capacitação, mercado, inovação, sustentabilidade e valorização da identidade territorial em diversos municípios do estado.

Núbia Lafayete produz biojoias a partir do beneficiamento de escamas de peixe, técnica que agrega valor a materiais naturais e promove geração de renda. (Arquivo pessoal)

“O artesanato é uma das expressões mais fortes da cultura maranhense e, ao mesmo tempo, uma importante fonte de renda para muitas famílias. Apesar desse potencial, ainda existem desafios, principalmente na gestão dos negócios, no acesso a mercados e na valorização adequada dos produtos. Por isso, o Mês do Artesão é uma iniciativa estratégica: fortalece esses pequenos empreendimentos, amplia oportunidades de comercialização, estimula a inovação e, sobretudo, dá visibilidade aos artesãos e às histórias que cada peça carrega”, destaca Flávia Nadler, gestora estadual de Turismo e Artesanato do Sebrae Maranhão.

Dados do setor reforçam a relevância desse movimento. O Maranhão conta com cerca de 3.946 artesãos formalizados desde 2008, segundo o Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB). São Luís lidera o número de registros, seguida por municípios como Grajaú, Barreirinhas e Imperatriz, evidenciando a presença do artesanato em diferentes regiões do estado.

A formalização, por meio da Carteira do Artesão, garante acesso a benefícios como participação em feiras, capacitações e linhas de crédito, ampliando as possibilidades de crescimento para quem vive da atividade.

Celebrado em 19 de março, o Dia do Artesão, que coincide com o Dia de São José, reforça a importância de uma atividade que conecta passado e futuro. No Maranhão, o artesanato segue como expressão viva da cultura e também como caminho concreto de geração de renda e autonomia.

Compartilhe
Ficou com alguma dúvida? Acesse nossos canais de atendimento.
Se você é um profissional da imprensa, entre em contato pelo [email protected]
ou fale com a ASN em cada UF

Notícias relacionadas