Aos 18 anos, Waywan Guajajara já acumula seis anos de experiência na produção de artesanato. Morador da Aldeia Japão, ele aprendeu ainda na adolescência a confeccionar colares, pulseiras e peças com miçangas. Recentemente, participou de uma capacitação que ampliou seus conhecimentos sobre gestão e comercialização. “O Sebrae abriu nossas visões sobre como poderíamos vender e apresentar nossos produtos para fora. A cada módulo do curso, nossa mente foi se abrindo. Foi muito importante ter essa capacitação”, relata.
A experiência de Waywan se soma à de outros 39 artesãos da Comunidade Morro Branco, em Grajaú, que participaram de uma jornada de formação realizada pelo Sebrae, por meio do Programa Plural. A iniciativa buscou fortalecer a atividade artesanal a partir de conhecimentos sobre organização produtiva, gestão, comercialização e presença digital, respeitando a identidade cultural e os saberes tradicionais da comunidade.

Para Maria Ângela Bento Lopes Guajajara, o artesanato representa uma herança que atravessa gerações. Artesã desde a infância, ela destaca a relação entre a produção manual e a preservação da identidade indígena. “Essa arte vem da ancestralidade e é de grande importância para a gente, porque mostramos nossa cultura, nossa identidade, de qual povo somos, nossa origem e nossas raízes”, explica.
A capacitação também trouxe ferramentas para ampliar as possibilidades de comercialização. Entre os aprendizados, Maria Ângela destaca a precificação das peças, a valorização do trabalho artesanal e o uso das redes sociais. “O curso nos mostrou a importância de precificar, valorizar e expandir o nosso artesanato. Aprendemos a criar o Instagram, a interagir e a apresentar nossas peças não apenas em lojas físicas, mas também em lojas virtuais. Tudo isso contribuiu muito”, afirma.
Ao longo da formação, os participantes passaram por cinco módulos: Identidade Cultural, Organização Produtiva, Comercialização Ética, Gestão e Presença Digital. Um dos resultados foi a criação de 13 perfis nas redes sociais para divulgar o trabalho dos artesãos, que antes não utilizavam esses canais para apresentar diretamente sua produção.
A cacique da Aldeia Japão, Cotinha de Sousa Guajajara, também destaca a importância de ampliar o acesso à formação e aos conhecimentos que podem fortalecer a atividade na comunidade. “Nós precisamos levar esse conhecimento para fora. Queremos mais cursos, mais aprendizado e que outras mulheres que ainda não participaram também tenham essa oportunidade”, afirma.
Cotinha chama atenção ainda para as dificuldades enfrentadas pelos artesãos na busca por matérias-primas utilizadas na confecção das peças, como sementes, madeira e penas. Segundo ela, a coleta desses materiais pode envolver riscos e deslocamentos para outras áreas. “A gente corre muitos riscos buscando sementes na beira dos rios e no mato. Por isso, precisamos de apoio para continuar desenvolvendo nosso trabalho”, relata.

Fortalecimento da atividade artesanal
A jornada foi concluída com um encontro na Comunidade Morro Branco, que reuniu exposição de peças artesanais, cantoria, apresentações culturais e entrega das Carteirinhas do Artesão – documento emitido em cooperação com a Secretaria Municipal de Turismo de Grajaú, município que soma cerca de 350 artesãos indígenas formalizados.
“Nosso objetivo é fortalecer esses empreendedores, oferecendo ferramentas que contribuam para que seus produtos cheguem ao mercado, sem descaracterizar os conhecimentos e as tradições que vêm de suas origens. Assim, também contribuímos para fortalecer a economia do município”, destaca a diretora administrativa e financeira do Sebrae Maranhão, Édila Neves.
A experiência em Grajaú integra uma estratégia mais ampla do Sebrae de promover inclusão produtiva e ampliar oportunidades para grupos sub-representados. Em 2026, a metodologia foi executada em sete unidades regionais do estado e, para 2027, a previsão é ampliar sua aplicação para todas as unidades do Sebrae no Maranhão.

A estratégia contempla diferentes segmentos, entre eles mulheres, população LGBTQIA+, indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência e pessoas com 60 anos ou mais. Nos dados gerais de atendimento do Sebrae a esses públicos, a instituição registra 73.138 mulheres, 24.837 pessoas não brancas, 11.135 pessoas com 60 anos ou mais e 470 pessoas com deficiência atendidas.
Com o Programa Plural, o Sebrae busca desenvolver ações que considerem as particularidades e potencialidades de cada grupo, ampliando o acesso a conhecimentos, ferramentas de gestão e oportunidades de mercado. A proposta é fortalecer iniciativas empreendedoras, promover inclusão produtiva e contribuir para o desenvolvimento econômico dos territórios.

