Entre rios sinuosos, manguezais, salinas naturais e a revoada dos guarás que colore o céu ao entardecer, um grupo de mulheres começou a desenhar um novo futuro para um dos cenários mais exuberantes do litoral maranhense. Moradoras do Arquipélago de Cururupu, elas estão descobrindo como transformar o conhecimento profundo que possuem sobre o próprio território em oportunidade de geração de renda, unindo o protagonismo feminino à conservação ambiental.
A mudança ganhou força com a realização da oficina “Mulheres Praianas: Turismo Comunitário como caminho para o protagonismo feminino”, uma iniciativa que reuniu representantes de sete das 17 ilhas que integram a Reserva Extrativista (Resex): Lençóis, Bate Vento, Mirinzal, Valha-me Deus, Caçacueira, São Lucas e Taboa-Mangunça.
Durante o encontro, as moradoras participaram de rodas de conversa e construíram coletivamente mapas de seus territórios por meio da cartografia social, uma metodologia conduzida pelo Sebrae que permitiu identificar e valorizar os atrativos escondidos de cada território.

Empreender sem abrir mão da conservação
Criada em 2004, a Resex de Cururupu protege mais de 186 mil hectares do bioma marinho-costeiro e reúne um conjunto de atrativos naturais ainda pouco conhecidos do grande público, mas com forte potencial para o turismo de experiência. Para quem vive isolado diariamente na reserva, o processo representou uma redescoberta do próprio lar.
“Foi um momento de muito aprendizado, de escuta e de troca entre as comunidades. A cartografia social nos fez enxergar realmente cada ilha, seus saberes, sua cultura e suas potencialidades. Foi como reconhecer nosso próprio lugar de moradia. O mais importante foi perceber que não precisamos pensar o turismo de forma individual. As comunidades podem caminhar juntas, compartilhando experiências, enquanto cada uma preserva sua identidade e seu modo de viver”, relata Mariene Ramos Oliveira, integrante da Rede de Mulheres Praianas e moradora da Ilha de Lençóis.
Na comunidade de Taboa-Mangunça, a capacitação também acendeu novas perspectivas econômicas familiares. É o caso de Josenilde Ferreira Fonseca Carlos, que já começou a planejar novos negócios ao lado do marido.
“O turismo de base comunitária é uma ferramenta de transformação quando existe organização e planejamento. Além de gerar renda, fortalece a valorização da nossa cultura, da nossa identidade e da conservação do território. Eu sonho em trabalhar com gastronomia e meu marido quer desenvolver a pesca esportiva. Nosso território tem muito potencial para isso, sempre respeitando os limites ambientais que garantem a saúde da Resex”, planeja Josenilde.
Um novo olhar sobre as ilhas e suas riquezas

O projeto foi desenhado para que o desenvolvimento econômico respeitasse a identidade local. Segundo Roseane Maia, agente de roteiros turísticos credenciada pelo Sebrae, o resultado prático superou as expectativas.
“Mais do que apresentar conceitos, mostramos como o turismo de base comunitária funciona na prática. Ao final da oficina, foram as próprias mulheres que apresentaram os roteiros de suas ilhas, revelando potenciais que muitas vezes estavam diante delas, mas ainda não haviam sido percebidos como oportunidades de negócio”, explica.
A estratégia faz parte de um movimento focado no fortalecimento do empreendedorismo feminino em áreas tradicionais. Rosa Amélia Borges, gerente da Unidade Regional do Sebrae na Baixada-Litoral Ocidental, ressalta que o impacto social vai além das salas de aula.
“Quando levamos metodologias como a cartografia social para dentro das comunidades, nosso objetivo vai muito além da capacitação. Queremos fortalecer o protagonismo dessas mulheres para que elas reconheçam o valor econômico, cultural e ambiental do lugar onde vivem. Esse é um modelo de desenvolvimento que respeita o território”, pontua.
A ação foi realizada em uma cooperação que uniu a Unidade Regional do Sebrae da Baixada-Litoral Ocidental com sede em Pinheiro (MA), a Rede de Mulheres Praianas da Resex de Cururupu (REMPREX), a Associação dos Moradores da Resex (AMREMC) e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SEMAC).
Para a turismóloga e articuladora da REMPREX, Mary Jane Fonseca, a autonomia comunitária é o único caminho viável para a atividade na região. “Esta oficina foi mais um momento de discussão sobre o turismo que queremos para o nosso maretório: um turismo em que as comunidades, especialmente as mulheres, sejam protagonistas. A ferramenta permitiu planejar um turismo alinhado à realidade e aos valores do território”, avalia.
Ao final da formação, cada grupo apresentou o roteiro turístico construído para sua comunidade, reunindo atrativos naturais, manifestações culturais, gastronomia, modos de vida e experiências que podem ser compartilhadas com visitantes interessados em conhecer um dos territórios de conservação mais ricos do Maranhão.
No arquipélago de Cururupu, o ecossistema que sempre foi protegido pelo isolamento agora se prepara para gerar emancipação financeira e ser apresentado ao mundo pelas mãos de quem sempre cuidou dele.

Serviço – Quer saber mais? Fale com a Unidade de Negócios do Sebrae em Pinheiro (MA), pelo WhatsApp, no número (98) 99191 9305, ou presencialmente, na Rua Maria Pinheiro Paiva, bairro Antigo Aeroporto, próximo ao SAMU, ou ainda na Sala do Empreendedor mais próxima.
Para mais informações sobre a atuação do Sebrae, acesse o Portal Sebrae (sebrae.com.br) ou entre em contato pela Central de Atendimento, no telefone 0800 570 0800 (também disponível via WhatsApp).
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