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Empreendedorismo feminino avança com histórias transformação em Imperatriz (MA)

O Encontro Delas marcou o encerramento da programação do mês da mulher, com foco no fortalecimento do empreendedorismo feminino na região.
Por Assessoria de Comunicação - ASCOM
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Iniciativas de capacitação e acesso a crédito têm ampliado a presença feminina nos negócios e impulsionando o empreendedorismo na região sudoeste do Maranhão. O número de Micro e Pequenas Empresas lideradas por mulheres saltou de 118 mil em 2024 para mais de 145 mil em 2026, segundo dados do Sebrae. O crescimento, impulsionado principalmente pelo avanço das microempreendedoras individuais, também se reflete em Imperatriz, onde o Encontro Delas marcou o encerramento da programação do mês da mulher.

A proposta das atividades foi ir além da celebração simbólica, criando espaços reais de desenvolvimento, troca de experiências e incentivo à autonomia financeira. O encontro reuniu produtoras rurais, artesãs e empreendedoras em uma programação diversificada, com foco em conhecimento e conexões. A programação incluiu temas estratégicos como educação financeira, acesso a crédito e autocuidado, além de espaços de escuta e troca de experiências.

Realizado pela unidade do Sebrae em Imperatriz, em parceria com o Instituto Tatajuba e o projeto Extensão Amazônia, o evento trouxe uma abordagem integrada, unindo capacitação técnica e valorização das trajetórias femininas. A analista do Sebrae e gestora do programa Sebrae Delas em Imperatriz, Aline Maracaipe, destacou o caráter coletivo da iniciativa.

“Mais do que um momento de celebração, esse é um espaço de construção. Reunimos mulheres empreendedoras para compartilhar conhecimento, acessar orientações sobre crédito e fortalecer suas atividades. O desfile das biojóias, por exemplo, representa todo um processo que começa na capacitação e chega ao produto final, desenvolvido pelas próprias produtoras”, afirmou Aline.

Mais do que relatos individuais, o espaço promoveu troca de experiências que ajudaram a encurtar caminhos, evitar erros e ampliar a visão de quem busca consolidar o próprio negócio. (Sebrae / Divulgação)

Além do crescimento no número de negócios, os dados também mostram mudanças no perfil do empreendedorismo feminino no estado. Entre 2024 e 2026, a participação das microempreendedoras individuais (MEIs) no total de empresas lideradas por mulheres passou de 36,1% para 41,4%, enquanto a presença nas microempresas recuou de 55,3% para 50,5%, segundo o Sebrae. Nos segmentos de atuação, a liderança feminina segue concentrada em áreas como beleza, vestuário e alimentação, mas também avança em setores como saúde e serviços profissionais, indicando diversificação e maior inserção em negócios mais estruturados.

Mais do que capacitar, o Encontro Delas reforçou o papel do empreendedorismo como ferramenta de transformação social, especialmente para mulheres que encontram no próprio negócio uma alternativa de independência e geração de renda.

Também foi divulgada a 6ª edição do Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato, iniciativa que reconhece e dá visibilidade aos melhores produtos artesanais do país. Voltado a artesãos formalizados, o prêmio já reuniu mais de 6.500 participantes nas edições anteriores e gerou mais de R$ 7 milhões em negócios, segundo o Sebrae. A proposta é valorizar o talento, incentivar a profissionalização e ampliar o acesso a mercados para quem transforma a produção artesanal em fonte de renda.

Histórias que inspiram e impulsionam

Um dos momentos centrais da programação foi o painel “Histórias que inspiram”, reunindo trajetórias que mostram, na prática, os caminhos possíveis dentro do empreendedorismo feminino. Mais do que relatos individuais, o espaço funcionou como um ambiente de troca, onde experiências reais ajudaram a encurtar caminhos, evitar erros e ampliar a visão de quem quer consolidar o próprio negócio.

A jornalista Mônica Brandão, coordenadora de comunicação do Instituto Tatajuba, destacou sua atuação na formação de mulheres empreendedoras, especialmente na economia criativa. “Eu vivo o empreendedorismo e também ajudo outras mulheres a empreender. Trabalhamos com projetos voltados à geração de renda, formando artesãs e criando espaços de comercialização”, explicou.

Esse movimento de troca ganha ainda mais relevância diante do perfil do empreendedorismo feminino no estado. Atualmente, mais de 40% dos negócios liderados por mulheres no Maranhão estão concentrados no formato de microempreendedoras individuais, segundo dados do Sebrae, o que reforça a necessidade de espaços de orientação, qualificação e fortalecimento coletivo para garantir a sustentabilidade desses empreendimentos.

A agricultora e microempresária Gilvânia Souza trouxe um relato marcado pela superação. “Eu venho da roça e hoje sou microempresária. Quero mostrar que a gente pode crescer, ser independente e conquistar nosso espaço”, destacou.

Ela também ressaltou o papel do apoio ao longo da sua trajetória. “O Sebrae sempre esteve comigo, me orientando e abrindo portas. Já são 20 anos nessa caminhada”, afirmou Gilvânia.

Também participou do painel a empresária e presidente da ACII Mulher, Carmem Bandeira, que reforçou a importância do propósito no processo de empreender. “Amar o que você faz é o primeiro passo para tudo. Quando a mulher trabalha com aquilo que gosta, seja no artesanato, nas biojóias ou em qualquer outra atividade, ela já começa fortalecida. A mulher tem força, e isso precisa ser reconhecido e colocado em prática no dia a dia dos negócios”, destacou.

As histórias compartilhadas evidenciaram que o empreendedorismo feminino não segue um percurso linear, mas se fortalece na construção coletiva. Ao dividir desafios e conquistas, as participantes transformam experiências individuais em aprendizado comum, ampliando as possibilidades de crescimento e autonomia para outras mulheres.

Biojóias: tradição, inovação e geração de renda

A valorização da produção local também ganhou destaque com a apresentação e o desfile das biojóias da coleção Estrela da Serra, produzidas por artesãs do povoado Centro dos Carlos. As peças, feitas a partir de sementes naturais, simbolizam a união entre sustentabilidade, identidade cultural e geração de renda.

O grupo de artesãs surgiu há cerca de três anos, a partir de uma iniciativa da Extensão Amazônia, que incentivou o aproveitamento de recursos naturais disponíveis na região. Atualmente, 22 mulheres participam do processo produtivo.

“Antes, a gente não trabalhava com biojóias. Foi a partir dessa parceria que começamos e hoje já temos uma renda. Ainda não é como queremos, mas já avançamos bastante”, relatou uma das integrantes.

A valorização da produção local também ganhou destaque com a apresentação e o desfile das biojóias da coleção Estrela da Serra. (Sebrae / Divulgação)

A presidente da associação, Alzenice Leal, destacou o impacto direto da atividade na vida das participantes. “Somos um grupo de mulheres empoderadas, produzindo para melhorar nossa renda e conquistar mais autonomia”, afirmou.

Ela também reforçou a importância das parcerias institucionais. “O Sebrae contribui muito com cursos e capacitações. É um parceiro fundamental para o nosso crescimento”, disse Alzenice.

O desfile encerrou a programação com um momento simbólico, evidenciando não apenas o resultado estético das peças, mas todo o processo de aprendizagem, organização e fortalecimento coletivo das mulheres envolvidas.

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