ASN MA
Compartilhe

Como o Sebrae ajudou produtora rural de Presidente Sarney (MA) a transformar pequena horta em negócio de sucesso

Com orientação, Elinelce Braga profissionalizou o cultivo de hortaliças, ampliou as vendas, conquistou novos clientes e investiu no próprio transporte para entregar produção.
Por Assessoria de Comunicação - ASCOM
ASN MA
Compartilhe

OUÇA ESTA MATÉRIA 🎧

Quando Elinelce Braga se senta em meio aos canteiros de sua horta, em Presidente Sarney, na Baixada Maranhense, encontra mais do que um lugar de trabalho. É ali, entre cheiro-verde, cebolinha, couve e vinagreira, que ela relembra o caminho percorrido e reconhece o quanto já conquistou. O espaço que antes representava uma atividade de pequena escala, com poucos canteiros e vendas esporádicas, tornou-se um negócio em expansão, com produção diversificada, clientes fixos e planos para crescer ainda mais.

A mudança começou em 2025, após a produtora conhecer o Sebrae através da indicação de um amigo. A oportunidade de participar do programa ALI Rural, com acompanhamento técnico periódico, abriu caminho para uma nova forma de cuidar da plantação e, principalmente, de enxergar a própria atividade, não apenas como um trabalho no campo, mas como um negócio que precisava de planejamento, conhecimento e organização para prosperar.

“Eu precisava de uma oportunidade que ainda não tinha tido. Quando conheci o Sebrae, vi que seria uma grande oportunidade e que, se eu fosse junto, tudo iria mudar”, recorda Elinelce.

A produtora rural Elinelce Braga, de Presidente Sarney, encontrou no conhecimento e na orientação do Sebrae novas oportunidades para profissionalizar a produção. (Divulgação/Sebrae)

Conhecimento que transforma o jeito de produzir

Antes do acompanhamento, Elinelce conduzia a horta com os conhecimentos que havia adquirido ao longo da vida e com os recursos que tinha. Plantava principalmente cheiro-verde, tinha poucos canteiros e, costumava doar parte da produção para evitar o desperdício quando não aconteciam as vendas. O cultivo seguia um ritmo lento: era preciso esperar terminar uma colheita para iniciar um novo plantio.

Com o atendimento do ALI Rural, a produtora passou a compreender melhor as necessidades da plantação e a importância de adotar técnicas adequadas de manejo. Nas visitas mensais, a agente do programa esclarecia dúvidas, apresentava orientações e ajudava Elinelce a identificar oportunidades de melhoria que, até então, ela não conhecia.

“Eu aprendi muito. Tinha muitas coisas que eu não sabia, porque a gente vai fazendo as coisas do jeito que dá e pensa que está certo. Muita coisa a gente aprende com o pai e com a mãe, mas há práticas que precisam ser melhoradas. Se não tiver alguém capacitado para orientar, a gente continua no erro”, relata.

Entre os aprendizados, estavam o manejo da horta, os cuidados com o solo, a irrigação, a proteção das sementes e o planejamento do plantio. A produtora também passou a entender como organizar os ciclos de cultivo para manter a oferta de hortaliças por mais tempo.

Uma das mudanças foi a instalação da irrigação em toda a horta. Outra foi a adoção do sombrite, estrutura de proteção que ajuda a reduzir a incidência direta do sol sobre as sementes na fase inicial do desenvolvimento. Com a nova prática, a empreendedora percebeu uma melhora significativa na germinação.

“Hoje eu sei que a semente germina como um bebê muito frágil, que precisa de muito cuidado, com todo amor e carinho. Aprendi a importância de regar de manhã e de tarde. Minha horta é igual a um bebê para mim, eu cuido com todo amor”, conta.

O conhecimento também mudou a forma de preparar e aproveitar o solo. Com o uso de calcário, adubação e matéria orgânica, Elinelce passou a organizar melhor os ciclos de cultivo e a reduzir a necessidade de reaplicação de determinados insumos. O resultado foi uma rotina de produção mais planejada, com melhor aproveitamento dos recursos disponíveis.

De poucos canteiros a uma produção que encontra mercado

Hoje, a área produtiva de Elinelce mede 24 metros de largura por 25 metros de comprimento e reúne 27 canteiros. A diversidade também cresceu: além de cheiro-verde e cebolinha, ela cultiva couve, vinagreira, joão-gome, batata-doce, pimenta-de-cheiro, mamão e frutas como laranja, limão e tangerina.

A principal mudança, porém, não está apenas no que planta, mas na maneira como organiza a produção. Em vez de esperar a conclusão de uma colheita para começar outra, Elinelce passou a intercalar os plantios e a trabalhar com rodízio entre os canteiros. A estratégia permite manter a horta em atividade contínua e ampliar a disponibilidade de produtos ao longo do ano.

A organização da produção veio acompanhada da expansão comercial. Se antes as vendas aconteciam de forma esporádica, hoje a produtora fornece hortaliças para três sacolões de Presidente Sarney, atende à Secretaria de Agricultura Familiar e mantém uma cliente em Pinheiro, para quem fornece cheiro-verde.

A divulgação pelo WhatsApp, especialmente nos status, também passou a fazer parte da rotina de vendas e ajudou a aproximar a produtora dos consumidores.

“Antes eu vendia pouco porque tinha poucos canteiros. Agora, tudo o que produzo eu vendo. Ganho muito mais do que ganhava antes. As coisas melhoraram muito”, afirma.

O crescimento trouxe outra conquista importante: a compra de uma motocicleta para realizar as entregas. O veículo facilitou o transporte da produção e ampliou as condições de atendimento aos clientes, tornando a logística parte da evolução do negócio.

“Minha maior conquista foi ter meu transporte. Comprar essa moto me surpreendeu, porque eu sempre quis fazer isso, mas não sabia se daria conta. E, graças a Deus, aconteceu”, celebra.

Empreendedorismo feminino que fortalece o campo

A história de Elinelce também representa a força das mulheres que encontram no campo uma oportunidade de geração de renda, autonomia e realização pessoal. Ao investir no próprio conhecimento e assumir o planejamento da atividade, ela passou a enxergar novas possibilidades para o sítio e para o futuro do negócio.

Esse movimento ganha importância em uma região onde a produção local de hortaliças tem espaço para crescer. Na Baixada Maranhense e no Litoral Ocidental, ampliar a oferta de alimentos cultivados no próprio território pode contribuir para aproximar produtores e consumidores, fortalecer circuitos curtos de comercialização e criar oportunidades para pequenos negócios rurais.

Parte dos alimentos consumidos nesses municípios vem de outras localidades, inclusive de fora do Maranhão. O fortalecimento da horticultura local, portanto, representa uma oportunidade de ampliar a participação dos produtores da região no abastecimento, desde que haja condições adequadas de produção, regularidade da oferta, qualidade e acesso aos mercados.

É nesse contexto que iniciativas de orientação e acompanhamento, como o ALI Rural, podem contribuir para o desenvolvimento dos empreendimentos. Ao apoiar a melhoria dos processos produtivos e da gestão, o atendimento ajuda o produtor a identificar gargalos, utilizar melhor os recursos e se preparar para atender às exigências dos compradores.

No caso de Elinelce, os resultados aparecem na diversificação dos cultivos, na organização dos canteiros, na redução de custos relatada pela produtora e na conquista de clientes recorrentes. O crescimento de uma pequena horta também ajuda a movimentar a economia local, conectando produção, transporte, comércio e consumo.

Mais do que aumentar a quantidade plantada, profissionalizar a atividade significa criar condições para que o trabalho no campo seja sustentável e gere retorno financeiro. Para mulheres como Elinelce, significa também conquistar mais confiança para tomar decisões e ampliar os próprios horizontes.

Uma horta que também cultiva confiança e novos sonhos

Com a atividade em crescimento, Elinelce já prepara o próximo investimento: a construção de uma estufa para proteger a plantação, especialmente durante o período chuvoso. A produtora conta que já comprou a lona e reuniu a madeira necessária para a estrutura. A meta é ter a horta coberta no próximo inverno, dando mais um passo para melhorar as condições de cultivo.

“A história da Elinelce representa o potencial que existe no empreendedorismo rural feminino da nossa região. Muitas vezes, o produtor já tem a disposição para trabalhar e o conhecimento adquirido ao longo da vida, mas precisa de orientação técnica para aprimorar os processos, melhorar a gestão e transformar a produção em um negócio mais estruturado e rentável”, destaca Rosa Amélia Borges, gerente da Unidade Regional do Sebrae na Baixada-Litoral Ocidental, com sede em Pinheiro.

Enquanto planeja a nova etapa, empreendedora segue buscando conhecimento e participando das atividades oferecidas pelo Sebrae. Os encontros também se tornaram oportunidades de conhecer outros empreendedores, trocar experiências e perceber que os desafios enfrentados no campo podem ser superados com informação, planejamento e apoio.

“Antes eu nem gostava de sair de casa. Hoje gosto das reuniões porque sei que vou aprender alguma coisa. Ainda tenho muito a evoluir e sou muito grata ao Sebrae por isso”, afirma.

Para Elinelce, a transformação mais importante foi perceber que o conhecimento pode mudar a maneira de trabalhar e a confiança para seguir adiante. A horta que começou pequena hoje sustenta novos planos, amplia mercados e reforça a certeza de que vale a pena investir no próprio potencial.

“Eu sou apaixonada pelo meu sítio. Tudo o que eu puder fazer para aumentar minha horta, eu vou fazer. E toda a minha trajetória terá o nome do Sebrae na frente, porque a gente precisa sempre reconhecer o que fazem de bom para a gente”, conclui.

Entre os canteiros que já produzem, a motocicleta que leva as hortaliças aos clientes e os materiais reservados para a futura estufa, Elinelce segue cultivando mais do que alimentos – cultiva conhecimento, independência e a perspectiva de um futuro em que o trabalho no campo seja cada vez mais valorizado.

  • ali rural
  • Baixada-Litoral Ocidental
  • Empreendedorismo
  • Empreendedorismo feminino
  • Horticultura
  • Presidente Sarney
  • Produtora Rural
  • Sebrae no Maranhão
  • UN Pinheiro